domingo, 18 de janeiro de 2009

Episódios #2: “La cascada, las cuevas y las llanuras”

Flashback
Antony abriu os olhos, estava quase todo enfaixado em uma maca de hospital, olhou para o lado e viu as maquinas que emitiam o barulho “bip... bip...”.
- Isso monitora seu coração. – disse um medico entrando.
O medico era negro, careca, com roupas brancas e carregava uma prancheta cheia de folhas, tinha a cara de quem teria que passar uma péssima noticia, Tony já desconfiava da noticia.
- O que aconteceu? – perguntou ele, com voz fraca, quebrando o silencio.
O medico engoliu em seco, pareceu procurar palavras então disse:
- Vocês sofreram um acidente a alguma milhas de Provo, seu carro bateu em um caminhão de carga, parece que o motorista estava dormindo. – disse por fim.
“Ele não era o único” pensou Tony, mas não disse nada.
- O motorista morreu. – disse o medico depois de esperar uma pergunta nova por algum tempo.
- E meus filhos? – perguntou nervoso.
O medico esperou algum segundo, então disse:
- Sua esposa...
- Eu Sei que minha mulher morreu! Quero saber dos meus filhos! – berrou Tony, interrompendo o medico, e rapidamente uma enfermeira de cabelos ruivos entrou no quarto, segurando uma seringa de sedativo.
Tony mostrou os dentes em direção da agulha.
- Não será necessário, Ruth. – disse o medico, dispensando a enfermeira.
- E então? – perguntou Tony depois de tossir um pouco.
- Seus filhos morreram. – disse o medico, friamente.
Aquilo caiu como uma pedra fria no estomago de Tony.
Fim do Flashback
Tony fechou o cantil, usando dicas do livro e um pouco do seu treinamento militar ele havia começado a pegar água que ficava acumulada nas folhas, após a chuva. Só havia conseguido comer frutas, visto que na ilha só havia insetos e pássaros, por outro lado ele havia explorado apenas uma pequena parte da mata, visto que, pela suas contas, ele já estava a cinco dias naquele lugar.
- Bem, vamos caminhar... – disse ele depois de guardar o cantil na mochila e pegar o cajado de madeira que ele havia feito para andar na mata, pois decidira, finalmente, explorar a ilha.
Então andou, passou duas horas andando pela mata, havia apenas mata, nem sinal de algum animal maior que um rato, ele tentava, inutilmente, memorizar os lugares por onde passava, então, subitamente, escutou passos quebrando gravetos, como havia escutado dias atrás.
- Hoje eu te pego! – gritou ele, ao sair correndo atrás do som.
Minutos depois ele chegou à outra praia, vazia como todos os lugares da ilha,
pensou ele, mas, ao se virar, tomou o segundo susto quando olhou para o outro lado
lado da praia, lá estava um navio de madeira bem velho todo destruído na areia de
uma praia, pelo visto, estava lá a décadas.

Flashback
Tony estava parado em frente a três lapides brancas, estava vestindo um terno – que cobria seus curativos – e estava parado lá há muito tempo. Vários amigos – principalmente os do serviço vieram prestar-lhe condolência, depois que acabou enterro ele continuou lá por mais duas horas e meia. Na primeira hora alguns amigos íntimos o fizeram companhia distancia, na segunda hora apenas Freddy – seu melhor amigo – o acompanhava, mas meia hora depois Freddy decidiu deixar o amigo sozinho.
Qualquer um diria que ele havia se fundido ao cemitério, mas, de surpresa, ele soltou um suspiro, virou de costas e foi embora.
A poucos metros da saída do cemitério Freddy – cabelos escuros, pela parda e olhos de águia – esperava, dentro de um taxi, com sua namorada.
- Por que ainda estamos aqui? –perguntou ela ao namorado.
- Não posso deixar que Tony faça alguma besteira... – disse ele soltando um suspiro.
Antes que a moça pudesse contestar Tony saiu do estacionamento montado em uma lambreta vermelha e disparou em direção ao centro da cidade.
- Siga o motoqueiro! – ordenou Freddy de dentro do taxi.
Fim do Flashback
Enquanto Tony dava passos pela proa do navio escutava o rangido da madeira podre, ameaçando ceder, foi quando ele se aproximou de uma entrada para o porão que o chão despencou, o levando a uma queda, em meio a entulhos.
- Eu tive mais sorte que ele... – disse Tony ao se levantar e ver um esqueleto acorrentado junto a parede do navio.
A parte inferior do navio estava totalmente podre, enquanto a areia invadia o porão pelas laterais a pequena parte traseira do navio em contato com a água estava inundada. No geral, o lugar tinha cheiro de mofo.
- Impossível de ser consertado... – disse ele depois de um tempo analisando o casco.
Quando subia de volta a proa para saltar novamente para praia pisou em alguma coisa que chamou sua atenção, ele se abaixou e pegou um papel, era um papel extremamente velho, os desenhos eram quase imperceptíveis, e apenas três identificações podiam ser lidas – em espanhol - “A cachoeira, As cavernas e A planície”. Depois de algum tempo analisando o mapa, Tony o guardou e decidiu voltar para casa, visto que suas costas doíam pela recente queda.

Flashback
Tony se agachou ao lado da lixeira, puxou a pistola 38 comprada minutos atrás, ilegalmente, e carregou-a com uma bala.
- Essa não é a melhor forma de resolver as coisas. – disse um velho mendigo sujo de vomito que passava pelo beco, possivelmente para procurar comida nas inúmeras lixeiras.
- De o fora! – gritou Tony apontando a arma para o velho.
- Calma filho! – disse o mendigo assustado – Já estou indo!
Tony esperou com que o velho se afastasse, então mirrou a arma na própria boca... E puxou o gatilho.
Fim do Flashback
Quando chegou em sua cabana Tony notou que algo estava errado, a porta que ele havia deixado fechada estava aberta, ele se aproximou com cautela, mas a cabana estava vazia. Olhando sobre a mesa ele viu se isqueiro, consertado, mas sem óleo.
- Desgraça... Definitivamente a alguém aqui. – disse ele, guardando o isqueiro no armário com os trapos e a gasolina.
Então Tony escutou o barulho novamente, ao se virar viu, de relance, um volto branco se mover para trás de um arbusto, ele pegou seu cajado e saiu correndo atrás do misterioso visitante.


#Continua#

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